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quarta-feira, 20 de junho de 2007

Balanço final

Segunda etapa da Caravana UBES em Defesa do Passe Estudantil termina com um balanço positivo, atingindo três mil e quinhentos estudantes em dez estados do país


"Vem, vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". A célebre frase de Geraldo Vandré foi repetida tantas vezes ao longo da Caravana que se tornou quase um mantra – e não poderia existir mantra melhor. Numa sexta-feira quente, em São Paulo, embarcaram num ônibus doze pessoas com cabeças e formações diferentes para uma jornada que, sem dúvida, mudaria o resto de suas vidas. Tudo o que sabíamos era que percorreríamos o Nordeste e, de alguma maneira, chegaríamos ao Centro-oeste e, depois, no Sudeste. Mas não tínhamos a dimensão exata do que viveríamos nos 28 dias decorrentes.

Um projeto tão grandioso merecia uma causa nobre. A luta pelo passe livre estudantil é fundamental para garantir o acesso e a permanência dos estudantes na escola. Nos últimos anos, o preço das passagens aumentou o equivalente ao dobro da inflação – e o reajuste do salário mínimo não acompanhou a taxa. Cada família brasileira tem, em média, três filhos – dá para imaginar, então, o custo que o preço das passagens representa no bolso do trabalhador, que acaba sem ter como custear a passagem dos filhos e engrossa a triste estatística da evasão escolar.


E é mais triste ainda porque na maioria do país nem o poder público, muito menos os empresários de transportes, vêem a causa por esse lado. Como o presidente da UBES, Thiago Franco, disse em um discurso inflamado em uma atividade em Recife: "Eles não querem que as pessoas estudem, se esclareçam. Porque quem estuda tem maiores condições de lutar por seus direitos". Por isso, apesar de todas as dificuldades, a Caravana saiu do papel, cumpriu uma proveitosa primeira etapa e completa agora a segunda, cansada, mas triunfante.

Os melhores...

Entre os quase quinze mil quilômetros percorridos, cruzamos onze estados; apresentamos o passe livre a três mil e quinhentos estudantes; promovemos vinte e um debates e dezessete apresentações teatrais. E mais: entregamos um modelo de projeto de lei do passe livre, elaborado pela UBES, a treze autoridades políticas entre governadores, prefeitos, secretários de estado, deputados e vereadores. "O saldo foi extremamente positivo. A gente atingiu estudantes de todo o país, e conseguiu permear o debate na institucionalidade", diz Thiago Mayworm, diretor de Esportes da UBES e coordenador da Caravana.


A Caravana também cumpriu um importante papel de mostrar aos alunos que o movimento estudantil está cada dia mais fortalecido. Para reafirmar isso, a UBES foi até os estudantes explicar suas lutas e tentar plantar em suas cabeças uma semente de revolução. E despertou: o interesse dos estudantes e a participação nos debates mostraram que a Caravana cumpriu o seu papel, e podia deixar a cidade tranqüila de que os jovens e as entidades locais seguiriam com a luta.


O fortalecimento do movimento estudantil, promovido pela Caravana, é uma via de mão dupla. Além de dar uma grande visibilidade para as entidades locais, a UBES também ganhou muito com essa história. "Apesar de sermos uma entidade nacional, não conseguimos atingir todo país, até por falta de verba. Com a Caravana, conseguimos conhecer profundamente a realidade de cada localidade e, assim, enxergar melhor a realidade nacional", reflete Marcos Santos, 1º Diretor de Relações Internacionais de UBES e elemento constitutivo da jornada. Fato é que todos que estavam ali, de certa maneira, aprenderam pessoalmente e profissionalmente.


Para o grupo TeatrAtividade, que passou por poucas e boas durante a jornada, até os momentos de perrengue valeram a pena – o coordenador Cláudio Juarez diz que todo mundo evoluiu durante a viagem. "É impressionante o aprendizado do grupo, em cada apresentação, com cada platéia". Os atores que o digam – em uma das últimas apresentações, em Maracanaú, eles tiveram até que dar autógrafo.


...e os piores momentos

Claro que, em um mês de estrada, convivendo com pessoas estranhas, surgiram picuinhas e brigões que, no fim das contas, acabam virando histórias engraçadas. A maioria da tripulação do ônibus não se conhecia e, até o primeiro momento de perrengue – quando o ônibus quebrou por 20 horas em Minas Gerais – teve seu lado bom, porque foi ali que conhecemos uns aos outros.


Um dos maiores problemas, para Thiago, coordenador da Caravana, foi a falta de organização de algumas entidades locais ao prepararem as atividades. Outra dificuldade, claro, era a financeira. O coordenador tinha que rebolar para garantir comida e estadia para a exigente tripulação. Mas Marcos Santos, o único que esteve também na primeira fase da Caravana, enxerga com nitidez os avanços do projeto: "Na primeira não tínhamos experiência. Fizemos viagens muito longas, que traziam um desconforto enorme. Desta vez, houve mais planejamento, não repetimos os mesmos erros", conta. O Diretor lamenta, apenas, a falta da participação de todos os grupos do movimento estudantil. "Para mim, o que constrói a convergência são as divergências. Eu acho que o debate político poderia ser mais amplo", reflete.


E a música de Vandré, repetida exaustivamente nas apresentações do TeatrAtividade, mais uma vez fazia sentido: "quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Não esperamos mesmo: para garantir que estivéssemos no horário nas atividades, ficávamos sem dormir, sem comer e sem tomar banho. Ficávamos mal humorados, capengas, cansados, claro – mas tranqüilos, porque tudo aquilo estava valendo muito a pena. E valeu tanto que a UBES planeja uma nova edição da Caravana no segundo semestre, que percorrerá o sul do país. E lembrando que a entidade "não vai arredar o pé enquanto não conquistar o passe livre", como Marcos diz nos discursos, e que "um sonho sonhado junto é realidade", como Thiago finaliza suas exposições, a segunda fase da Caravana termina torcendo para que chegue logo a terceira.

Confira como foram os vinte e oito dias de Caravana nos posts abaixo. A jornada acabou e as postagens também; mas o blog ficará disponível para consultas e comentários. Acompanhe o site da UBES para saber quando haverá a próxima Caravana

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Betim



A última atividade da Caravana rolou em Betim, no dia 8. Betânia Souto, presidente da UMES de Betim, foi a responsável por articular a atividade na Escola Estadual Tito Lívio de Souza. Da entidade musicipal, além dela, participou da atividade a diretora Priscila Figueiredo. Para completar o time de discussões, estava o Prof. Juca, diretor da escola, Thiago Ferreira, do grêmio, e Thiago Mayworm e Marcos Santos, os diretores da UBES que constituem a Caravana.

Depois de apresentada a Caravana e seus porquês, Thiago e Marcos falaram sobre o histórico do passe livre e reiteraram o direito que todo estudante tem de ir e vir, de graça. O diretor da escola perguntou se já existe passe livre em algum lugar. "Já tem sim, diretor, no Rio de Janeiro e em várias cidades pelo país, onde os estudantes lutaram", respondeu Thiago. A atividade terminou e, ao mesmo tempo, encerrou uma etapa histórica do movimento estudantil.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Brasília: um passo para o passe livre

Público assiste a apresentação do TeatrAtividade, responsável por abrir as discussões

Chegamos em Brasília segunda-feira de manhãzinha, e fomos direto ao ponto: o Centro Educacional 01 do Cruzeiro. No auditório lotado, falaram ao público os dirigentes da UBES da Caravana, Thiago Mayworm e Marcos Santos, Felipe, vice-presidente regional da UBES, e o Deputado Paulo Tadeu, responsável pela apresentação e aprovação do projeto de lei do passe livre na Câmara. O evento ainda teve a presença ilustra da equipe da TV Câmara, que acompanhou o dia da Caravana para colher material para um documentário sobre o movimento estudantil secundarista.

Thiago Mayworm discursa, acompanhado pela equipe da TV Câmara

No Distrito Federal, a situação dos transportes públicos é delicada. Foi unânime, entre os presentes na mesa, que o transporte de Brasília "é o pior do país" - mas, ao mesmo tempo, a cidade está perto de garantir a passagem gratuita aos estudantes. A história é a seguinte: o Deputado Paulo Tadeu teve seu projeto de lei do passe livre aprovado na Câmara; mas então governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, vetou a lei. O veto, então, foi derrubado por pressões de deputados e estudantes; mas Roriz, mais uma vez, entrou com uma ação de inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Agora, o passe livre está nas mãos de um desembargador, que julgará a lei. Se ele a considerar constitucional, o direito entra em vigor.

Os diretores da UBES, Thiago e Marcos, lembraram aos presentes o histórico de lutas pelo passe livre, e mostraram que há várias cidades no país em que os estudantes já têm o direito. Falaram também que é preciso garantir o acesso não só à educação, mas também à cultura, ao lazer e ao esporte. O passe livre deve ser integral e irrestrito. Por fim, lembraram a trajetória de conquistas do movimento estudantil e convocaram os estudantes para uma mobilização.

Paulo Tadeu (foto a dir.) disse que a presença da Caravana, nesse contexto, é fundamental para garantir a unidade entre os estudantes. "Eu gostaria que essa luta se estendesse para vários colégios. Quem garantiu a aprovação do passe livre na Câmara foram os estudantes, e confio nessa unidade de luta que está sendo construída a partir da Caravana", disse, em discurso.

Felipe, vice-presidente regional da UBES, convocou os estudantes para uma mobilização no próximo dia 29 de junho. A concentração será em frente ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal, local onde ocorrerá a decisão do desembargador responsável por julgar a constitucionalidade do passe livre.

Depois de Brasília, a Caravana cruza o cerrado e vai até Minas Gerais, onde realiza atividades em BH, Betim, Contagem e Juiz de Fora.

sábado, 2 de junho de 2007

Emoções em Maracanaú

Saindo de Fortaleza, fomos à Maracanaú, na região metropolitana. O dia estava quente, a equipe esgotada e os ânimos lá embaixo. Não imaginávamos que, naquela cidade, no Liceu de Maracanaú, teríamos uma das melhores recepções de toda a caravana. A atividade começou no pátio, na hora do intervalo. A escola parou para ver o TeatrAtividade se apresentar:


Quando a apresentação acabou, foram quase cinco minutos de palmas. Vagner, Michele, Karina, Daiane e Elieser, os atores, deram até autórafos e foram quase intimados a fazer outra apresentação - desta vez, dentro do auditório, depois do debate.

O diretor do colégio, Máximo, disse que era uma honra receber "jovens tão empreendedores". "É uma satifação participar deste evento de dimensão nacional. Fico muito feliz do Liceu ter sido o colégio escolhido para isso", disse. Na mesa de debates, estavam presentes Vitor Hugo, presidente da União dos Estudantes de Maracanaú, seu companheiro de entidade Anderson Rafael, Arquimedes, presidente da União dos Estudantes de Fortaleza, além de André, Mário, Thiago Mayworm, Marcos Santos e Michele Bressan, da UBES. O público era extenso - além dos estudantes do Liceu, havia também secundaristas dos colégios Eloy Brandão e Flávio Pontes.

Michele foi a primeira da entidade a falar, e disse que cada um ali tinha um papel fundamental na construção da luta pelo passe livre estudantil. André, primeiro tesoureiro da UBES e morador de Fortaleza, falou do contexto local -a conquista da meia em Fortaleza e os preços abusivos nas passagens intermunicipais, em que não há nem meia-passagem. Depois, Thiago e Marcos, da Caravana, explicaram por quê estão percorrendo o país para lutar pelo passe livre - e deixaram claro que o mais importante ali era semear a idéia e fomentar a luta local.

Assim como na atividade em Fortaleza, em Maracanaú os estudantes bombardearam a mesa de perguntas. Séfora, uma das questionadoras, perguntou como é que eles podem se envolver mais na política e garantir, pelo menos, que a meia-passagem chegue à região metropolitana. Mário(foto), o cearense da mesa, respondeu: "nenhum parlamentar vai vir aqui e falar 'olha, tá aqui sua meia macrorregional'. A gente tem que ir para a rua, tem que pressionar os políticos, tem que garantir uma emenda".

Vitor Hugo, presidente da entidade municipal, disse que a cidade já entrou na campanha. "A UBES vai passar e a União dos Estudantes de Maracanaú vai ficar para reproduzir essa campanha". O debate terminou com mais uma apresentação do TeatrAtividade, mais uma vez ovacionada pelos estudantes presentes.

Saindo do Liceu, a Caravana foi direto à Prefeitura de Maracanaú, entrear o projeto de lei do passe livre. O prefeito, Roberto Pessoa, participava de um evento do lançamento do PAE - Programa de Autonomia Escolar - e, por isso, o auditório estava cheio de professores e profissionais da educação no local. Thiago Mayworm foi convidado para subir à mesa, e falou sobre a UBES, falou sobre as políticas educacionais do governo federal e parabenizou o prefeito por adotar uma política de reserva de vagas para estudantes de escolas públicas. No final, entregou o projeto de lei e posou para a foto:

Maracanaú foi a despedida nordestina da Caravana. Depois do Ceará, o ônibus corta o sertão e chega ao cerrado, onde promove atividades em Brasília na segunda-feira.

Fortaleza: grito pelo passe livre no Liceu do Ceará


Saímos de Natal no final da tarde e chegamos em Fortaleza no começo da madrugada de sexta. Bem cansada, a equipe acordou cedo, se perdeu e chegou às 10h no tradicional colégio Liceu do Ceará, onde a atividade estava programada. Cerca de duzentos estudantes já estavam no auditório e a atividade contou com a presença de André Souza e Mario Gustavo, diretores da UBES, Arquimedes, presidente da Unefort (União dos Estudantes de Fortaleza) e também da vice-presidente da UBES, Michele Bressan.

Em Fortaleza, o movimento estudantil conseguiu uma importante conquista: a meia-passagem ilimitada. Enquanto a maioria das cidades que têm meia restringem o benefício apenas para o trajeto de ir e vir da escola, Fortaleza parmitiu que seus estudantes pagassem meia em qualquer percurso. Os diretores da UBES reconheceram o avanço do poder público, mas deixaram claro aos alunos de que é preciso ir além. "A meia-passaem não é um favor dos empresários, é um dever. E, mesmo assim, a maioria das famílias brasileiras têm mais de três filhos, e mesmo a meia-passagem fica cara", disse o diretor da UBES Thiago Mayworm. Marcos Santos disse que é preciso que os estudantes se mobilizem para garantir que o direito se estenda até a passagem gratuita para os estudantes.

Muito interessados pela questão, os estudantes do Liceu disutaram os microfones na hora das perguntas. Perguntaram como podem colaborar para a luta, questionaram sobre as passagens intermuicipais e, no final, enquanto posaram para a foto, cantaram em coro com a UBES o grito de guerra do passe livre:

João Pessoa: agenda cheia

Quase quatro mil quilômetros percorridos e a caravana da UBES chegou a João Pessoa (PB) para um rápida, mas proveitosa, estadia. Os paraibanos da AESP (Associação dos Estudantes Secundaristas da Paraíba) foram os responsáveis pela extensa lista de atividades, que começou na Câmara Municipal de João Pessoa, passou pela Assembléia Legislativa da Paraíba, fez uma atividade com debate e apresentação teatral no CEFET-PB e terminou na Prefeitura Municipal de João Pessoa, em uma reunião com o prefeito Ricardo Coutinho. Em um estado em que, no ano passado, um acidente matou 18 estudantes que iam à escola de pau-de-arara, a Caravana da UBES teve um papel fundamental.


Thiago, André da AESP, Watteau e Marcos

Logo pela manhã – após pegar a estrada e chegar de Recife – a equipe foi direto à Câmara, em um encontro com o vereador Watteau Rodrigues. O parlamentar recebeu o projeto do passe livre e declarou total apoio à causa – e foi ele quem, mais tarde, possibilitou os proveitosos encontros com autoridades paraibanas. “A gente sabe que na luta pelo passe livre estamos mexendo com peixes grandes, que têm representação entre os políticos. Então, é muito importante para os estudantes do nosso país terem representantes como você”, disse Thiago Mayworm, coordenador da Caravana, ao vereador.



A seguir, seguimos para a Assembléia Legislativa da Paraíba. O destino era o gabinete da Deputada Estadual Nadja Palitot, que há algum tempo atua no setor de transportes públicos. Nadja recebeu a Caravana com entusiasmo e aproveitou o ensejo para fazer críticas à Prefeitura, ao governo do Estado e aos próprios parlamentares da Paraíba. “O transporte coletivo de João Pessoa não passa por um processo de licitação”, denunciou. Nadja disse também que a luta pelo passe livre em João Pessoa “vai ser das mais difíceis”. “Os empresários de transporte público daqui têm um poder de jogo muito grande. Eles promovem festas, prêmios, têm contatos com órgãos da imprensa”, disse ela. Nadja deu apoio à luta da UBES e se despediu com a promessa de representar o interesse dos estudantes em seu estado.




Watteau, Nadja, Marcos, Thiago e André

À tarde, a Caravana foi se encontrar com os estudantes no CEFET. Cerca de 200 pessoas se concentraram no auditório e assistiram os diretores da UBES Marcos Santos e Thiago Mayworm falando sobre o direito dos estudantes de ir e vir da escola, do teatro, do museu, de onde quiserem, de graça. Na Paraíba, muitos estudantes saem da zona rural à cidade para ir à escola. Eles têm direito a uma cota de 100 passagens por mês – a R$ 0,80 cada. Em uma família grande, dá para imaginar o gasto mensal que isso significa. Depois das exposições, o pessoal do TeatrAtividade botou o público para rir e cantar e, no final, a professora Zoraida Arruda, presente no evento, terminou a atividade dizendo que aquele ato ficaria “para história do Cefet”.



Pose para a foto no auditório do Cefet

No final do dia, em companhia do vereador Watteau, a Caravana estacionou em frente à prefeitura de João Pessoa. O motivo: uma conversa com o prefeito Ricardo Coutinho para discutir passe livre estudantil. O pessoal da UBES e da AESP apresentou a Caravana e os porquês de estarem percorrendo o país para discutir passe livre. “Nós sabemos, e existem dados que comprovam isso, que 30% dos estudantes deixam de ir à escola por não terem dinheiro para as passagens”, disse Marcos Santos. Ele falou também dos lucros dos empresários, e cutucou o prefeito sobre as concessões. Coutinho, por sua vez, respondeu que sua gestão têm feito avanços importantes no setor de transportes – como uma maior fiscalização das carteiras estudantis e implantação do sistema de bilhetagem eletrônica, que beneficiaria “os estudantes de verdade, que precisam pagar meia”. Thiago Mayworm disse que compreende que a meia passagem é uma avanço, mas que “o salário mínimo não acompanhou o aumento das passagens”.

Coutinho afirmou que, se houvesse passe livre estudantil, quem arcaria com o ônus das passagens seria o trabalhador que paga a passagem – e Marcos Santos retrucou, afirmando que no próprio projeto de lei da UBES há alternativas de financiamento para o passe livre, como a publicidade nos ônibus e a redução dos lucros dos empresários. O prefeito reconheceu que a maior questão em jogo é o financiamento da passagem estudantil. No final, houve um consenso de que é necessária a criação de uma comissão, composta por empresários, técnicos, prefeitura e estudantes para discutir o transporte público local. O prefeito também recebeu, das mãos dos dirigentes da UBES, o projeto de lei do passe livre.

O longo dia de atividades terminou ali, com um aperto de mão entre os representantes do movimento estudantil e o prefeito, e a certeza de que a Caravana foi só o começo da luta pelo passe livre na Paraíba. Depois de um jantar na beira da praia, o ônibus partiu para Natal (RN), onde a UBES e as entidades locais promoveram atividades na quinta (1).

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Em Recife: encontros com governador, prefeita de Olinda e até Juninho Pernambucano

Estudantes e militantes após atividade na E. E. José Vicente Barbosa

Em Recife, terça feira cheia de atividades para a Caravana da UBES pelo passe livre. O presidente da entidade, Thiago Franco, chegou de madrugada especialmente para participar dos eventos. Foram duas atividades em colégio, pela manhã na Escola Estadual Joaquim Távora e a noite, na E. E. josé vicente Barbosa. à tarde, os dirigentes da UBES e da UMES, União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas, deram o seu alô à prefeita de Olinda, Luciana Santos, ao Governador do Estado, Eduardo Campos, e até a Juninho Pernambucano, que estava presente no evento no Palácio do Governo.



As atividades nos dois colégios reuniram mais de 600 pessoas. Em Recife, a passagem custa R$ 1,60 – valor considerado muito alto pelos alunos. “Tem vezes que não temos passagem para ir à escola”, conta o estudante Linaldo Ferreira da Silva. Os dois debates começaram com a apresentação cultural da esquete do TearAtividade sobre o passe livre. Em ambas as atividades, dirigentes da UMES, União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas, falaram aos estudantes sobre a importância daquele momento – e eles assistiram, interessados, porque é que o passe livre é direito deles. Os diretores da UBES presentes na Caravana, Thiago Mayworm e Marcos Santos, falaram sobre o passe livre e o porquê da caravana.




Bagunça na E. E. Joaquim Távora




O presidente da UBES, Thiago Franco, destacou o fato de que o salário mínimo não acompanha o aumento do preço das passagens. Falou também que, hoje, o preço das passagens é um dos maiores motivos da evasão escolar e provocou: “eles não querem que as pessoas estudem, se esclareçam. Porque quem estuda tem maiores condições de lutar por seus direitos”. A estudante Paula Andréa, presidente do grêmio, convocou os estudantes à luta, lembrando a eles sobre o passe livre no Rio de Janeiro. “Se no Rio eles conseguiram, porque aqui em Recife a gente não consegue? Vocês podem ter certeza, eles não ficaram sentados olhando o céu esperando, eles foram à luta”, disse ela, em um discurso inflamado.



As atividades foram intercaladas pela passagem da Caravana pelo Palácio das Princesas, do governo estadual. Estavam lá o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o prefeito em exercício de Recife, Luciano Siqueira e a prefeita de Olinda, Luciana Santos. Os três receberam muito bem a equipe da UBES e os representantes do movimento estudantil pernambucano. Os três receberam e assinaram o PL do Passe Livre, e posaram para as fotos históricas com os representantes do movimento estudantil.

Representantes da UMES e UBES entregam PL do Passe Livre à Luciana Santos...

... ao governador do estado...

E posaram para uma foto com Juninho Pernambucano.

domingo, 27 de maio de 2007

Quinta-feira, 24 de Maio de 2007
Conversa com a Secretária de Inclusão Social


Depois da atividade no Cefet, os diretores da UBES Thiago Mayworm e Marcos Santos convocaram os estudantes para uma reunião com a Secretária Estadual de Inclusão Social, Ana Lucia Menezes. A Caravana partiu lotada de estudantes secundaristas e foi rumo ao prédio da secretaria entregar o projeto de lei do passe livre ao poder executivo local.

Estudantes na porta do gabinete da Secretária


Cerca de trinta estudantes, mais a equipe da caravana, lotaram o gabinete da secretária. Muito solícita, Ana Lúcia falou que a luta pelo passe livre é legítima e deve ser de todos – estudantes, pais e de toda a sociedade. Como é professora, ela ressaltou a importância de atividades extra-curriculares e culturais na formação pessoal, e falou que o passe deve ser livre e ilimitado.



No final, a Secretária recebeu o projeto e posou para a foto histórica com diretores da UBES e os estudantes do Cefet:


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Aracaju

Depois de passar por Guarulhos, Salvador e Camaçari, a Caravana UBES chegou quarta à noite em Aracaju. Na cidade, o movimento estudantil vive um momento turbulento. Terça-feira, 22, estudantes saíram às ruas para protestar contra o transporte público local. O manifesto terminou em um violento confronto com a polícia, em que alguns estudantes saíram feridos. Dois dias depois, a Caravana chegou à cidade para levantar ainda mais as discussões acerca do passe livre.

O encontro com os estudantes foi no Cefet, onde os diretores da UBES ficaram todo o dia. As duas atividades – pela manhã e a tarde – mobilizaram mais de quinhentos estudantes, que chegaram a perder aulas para discutir o transporte público com a UBES. Em Sergipe, já existe a meia-passagem para os estudantes – mas o benefício só pode ser usado por estudantes em dias de aula, e no período em que estiver matriculado. “Tem gente que acredita que os empresários de ônibus fazem ação social com meio passe. Mas isso não é nenhum favor”, disse, em discurso, Thiago Mayworm, diretor da UBES.

A maior briga dos movimentos estudantis locais – como a União Sergipana dos Estudantes Secundaristas (USES) – é para garantir a meia-passagem todos os dias, em todos os horários. Aby Custódio, da USES, disse que a entidade vai lutar pelo passe livre – mas, agora, a prioridade é que pelo menos o direito a meia passagem integral seja aprovado. “A expectativa é que isso aconteça ainda neste semestre”, disse ele.


Aby: mesmo após confronto, estudantes sergipanos estão dispostos a ir para as ruas novamente

Aby estava no confronto da última terça. Além da extensão da meia-passagem, o protesto foi motivado pela demora na emissão da carteira que dá direito ao benefício. “Há estudantes que solicitaram a carteira no começo do ano e estão até hoje pagando meia”, garante o estudante. Ele conta que depois do confronto com a polícia, os manifestantes saíram do local sob a promessa de que, pela manhã do dia seguinte, o diretor do SMTT, Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito, reuniria-se com os alunos; e ele não apareceu.

Nesse contexto, a Caravana UBES fez um papel importante ao levar as discussões ao grande número de estudantes. Depois da atividade, os estudantes se mostraram interessados pela causa e tiveram várias perguntas respondidas por Thiago Mayworm. No final do ato, a UBES passou o bastão de coordenar a luta pelo passe livre à USES. A entidade local já planeja um novo ato contra o sistema de transporte público sergipano.

Nesta sexta, a Caravana parte para Maceió. Pela manhã, os diretores da UBES participarão de uma sessão pública sobre o Fundeb na Assembléia Legislativa.

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Valeu, Bahia!

A Caravana UBES pelo passe livre deixou a Bahia cheia de boas lembranças, e a certeza de que a passagem por ali não foi em vão. Para a gente, pelo menos, ela vai ficar bem guardada:



Claudio, Marcos, Tatiana, Vagner, Thiago, Karina, Elieser, Michele e Daiane: os viajantes

Todos no Pelourinho


Júnior, o amigo-guia que encontrou a equipe em um ônibus

Foto de cartão postal por Vagner, do TeatrAtividade

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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007
Camaçari: papo com o executivo



Representantes estudantis reunem-se com secretários municipais


Às dez da manhã, a Caravana pelo passe livre foi ao seu segundo destino baiano: Camaçari. A cidade promoveu pequenos avanços na luta pelo passe livre - estudantes já conseguiram prorrogaram um aumento de passagens e propuseram à prefeitura a existência de um Conselho Municipal do Transportes, que contaria com a participação de representantes do movimento estudantil.

Por isso, a passagem da Caravana da UBES foi bem importante para trazer à tona novamente as discussões sobre o transporte público local. Estiveram no CETEB Thiago Mayworm e Marcos Santos, diretores da UBES, Flávio Carvalho e Robson Vicente,da UMESC (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Camaçari). Depois de discutirem a importância e os porquês do passe-livre com os estudantes, a Caravana saiu rumo ao poder executivo da cidade.

A UBES e os representantes locais se reuniram com Carlos Silveira, secretário municipal de ação social, Valter Lima, secretário de educação e Marcelino Filho, secretário interino do governo. O projeto de lei do passe-livre, elaborado pela UBES, foi entregue aos secretários e bem recebido. Silveira disse que o governo está, sim, disposto a dialogar com os estudantes sobre o tema - e ressaltou as dificuldades em se lidar com os empresários de transporte.

Depois da conversa, o Secretário de Ação Social ainda deu uma passada na Caravana, para dar um alô e uma força para a equipe. Camaçari foi a segunda e última parada baiana.

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Terça-feira, 22 de Maio de 2007
Caravana UBES é recebida pelo Deputado Yulo Oiticica


Depois de promover atos pelo passe livre no Cefet, a Caravana UBES foi à Assembléia Legislativa da Bahia. A equipe foi apresentar o projeto de lei do passe livre, criado pela entidade, ao Deputado Yulo Oiticica (PT-BA). Yulo, bastante receptivo, parabenizou a UBES pela luta e reiterou que o passe livre é amparado pela constituição federal. Falou também que está em tramitação um projeto de lei para garantir o transporte universitário para pessoas de outras cidades que moram em Salvador.

Assista aos vídeos com trechos do encontro.






Passe livre no Cefet

Estudantes recebem a equipe da UBES

Depois de um final de semana de viagem e uma segunda-feira para conhecer a cidade, a Caravana UBES finalmente mostrou a que veio em Salvador. A cidade tem tradição nos movimentos sociais: em 2003, ela foi palco da antológica Revolta do Buzu, em que estudantes pararam a cidade contra o aumento indiscriminado das passagens de ônibus. Quatro anos depois, dia 22 de maio, a Caravana da UBES volta a Salvador para lembrar aos estudantes que barrar o aumento não basta: é preciso lutar pelo passe livre.





O ônibus da UBES estacionou em frente ao Cefet às 10h da manhã, e a equipe saiu pelos corredores e salas de aula mandando o recado aos alunos. Os diretores da UBES Thiago Mayworm e Marcos Santos andaram pelo colégio e entraram nas salas de aula para falar sobre a luta da UBES. Bem interessados, os estudantes acompanharam as discussões e a apresentação do TeatrAtividade. Mesmo os professores, que em alguns casos tiveram a aula interrompida, não se importaram com o pequeno atraso e falaram aos alunos sobre a importância do movimento estudantil e da luta por seus direitos.

Em Salvador, as passagens de ônibus custam entre R$ 1,80 e R$ 2,20. Os estudantes – apenas de colégio e universidades, não de pré-vestibulares - têm direito a meia-passagem. Para os ônibus de R$ 2, existe o “Salvador Card”, um cartão pré-pago que permite até quatro viagens pelo preço de uma. “É melhor que nada”, disse Edvaldo Assis Júnior, aluno do primeiro ano no Cefet. Seu colega, Alexandre Lima, rebate: “quatro passagens é pouco. Só dá para ir e voltar da escola”.


Estudantes acompanham a apresentação teatral

Por isso, a UBES defende o acesso total ao passe livre – não só para ir à escola, mas também para que os estudantes possam ir ao cinema, teatro e shows com transporte gratuito. “A UBES entende que a formação escolar não é apenas assistir aula. É também acessar a cultura”, disse Marcos.



Thiago Mayworm, como bom carioca, lembrou que no Rio de Janeiro os estudantes conseguiram conquistar o pass livre – e que, por isso, a luta não é impossível. Depois da apresentação do grupo TeatrAtividade – que foi muito bem recebida, com gargalhadas e muitas palmas – Thiago convocou os estudantes à luta. E o público aderiu à causa: “Eu estou disposto a ir para as ruas”, disse Júnior (foto), enquanto se despedia da Caravana.


Depois da apresentação, a pose

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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007
Quarenta e oito horas de estrada... e finalmente, Salvador


O ônibus quebrado: vinte horas em Coronel Fabriciano (MG)

Depois de Guarulhos, o destino: Salvador. Seguimos pela rodovia Fernão Dias por 700km com uma certa tranquilidade até Timóteo (MG) - quando o ônibus quebrou. Altamir, o motorista, fez que fez e conseguiu levar o carro até Coronel Fabriciano, uma cidade próxima, para consertar. Onze da manhã. Quando o mecânico chegou, o que era um problema virou um perregue enorme - ficamos vinte horas parados, no mesmo lugar, na cidade mineira. As meninas animadíssimas do Teatratividade dançaram, a equipe jogou truco, conversa fora, dormiu, acordou e o ônibus continuava no mesmo lugar. O problema foi resolvido às cinco da manhã e dali viemos direto para a Bahia.

Rio Jequitinhonha



As paisagens do norte mineiro compensaram o perrengue. Marias-fumaças, pedras gigantescas, um horizonte bem distante para descansar o olhar. Quase na fronteira com a Bahia, fica o Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do país - e a miséria contrasta com a exuberância do rio que dá nome à região.



Onze horas da noite, chegamos a Salvador. Hoje, segunda, amanheceu um dia maravilhoso e pudemos tirar a uruca de quarenta e oito horas de estrada. Amanhã, os alunos do CEFET receberão a caravana dentro da escola. Thiago Mayworm, coordenador da jornada, com o grupo TeatrAtividade, além da ABES (Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas), discutirão educação e o direito ao passe livre com os alunos do colégio.





As fotos da viagem são de Karina Cotachu, do TeatroAtividade.

Sábado, 19 de Maio de 2007
Primeira parada: Guarulhos



O dia começou cedo: eram 6h30 da manhã e a equipe se encontrou em frente a sede da UNE/UBES, em São Paulo, rumo a primeira parada da caravana: Colégio Estadual Homero Rubens de Sá, em Guarulhos, grande São Paulo. Centenas de alunos - a organização do evento estima 600 pessoas – se dividiram em dois turnos para acompanhar o evento capitaneado pela União Brasileira dos Estudantes.




“A luta pelo passe livre é ideal”, disse Débora Salete dos Santos, vice-presidente do grêmio da escola. “O ônibus é caro, e a maioria dos estudantes dessa escola mora longe daqui”, completou. “O preço das passagens é um dos maiores problemas para garantir o acesso à educação”, afirmou, em discurso, o presidente da UBES, Thiago Franco.

Tiago Franco (em pé), em frente a banca de convidados: Ricardo (UEE-SP), Fábio (UGES), Thiago (mediador), Tiago (UPES), Wilson (UPES) e Débora (grêmio do colégio)

Nos debates promovidos pela UBES, participaram todas as entidades que representam os alunos de Guarulhos. O mediador foi Thiago Mayworm, diretor de esportes da UBES, que é também o coordenador da caravana. Fábio, (foto à direita) da UGES (União Guarulhense dos Estudantes Secundaristas), levantou o público ao som do já conhecido bordão do passe livre: “boi, boi, boi, boi da cara preta...”. Wilson, da UPES (União Paulista dos Estudantes Secundaristas), lembrou que o preço que os alunos pagam nas passagens sustenta o grande lucro dos empresários de ônibus. Duas outras instituições importantes deram seu apoio à luta: a UEE-SP e o MST.


Parte constituinte da caravana, o grupo Teatroatividade, do Centro Universitário de Cultura e Arte da UNE de Curitiba, também falou da luta pelo passe livre – mas, claro, com uma linguagem mais corporal e divertida, em que os alunos acompanharam batendo palmas e cantando.


O evento terminou em grande estilo: o grupo Família GNA, formado por alunos da própria escola, transformou o ginásio em um grande show de rap. Chad, um dos mcs, explicou que GNA significa “gênesis, naum e apocalispe, as três partes da Bíblia” ou, simplesmente, “Gangsta na área”.

Família GNA: o hip hop de Guarulhos mostrou a que veio


Tudo muito bacana, a Caravana começa com o pé direito. Foi nessa primeira escola, o Homero, que surgiram as articulações para a luta que aprovou a meia-entrada para estudantes, em Guarulhos em 1992 – e, pela organização de ontem, tudo leva a crer que os alunos de lá estão prontos para o confronto.